Na
vida, conhecemos pessoas incomparáveis. São pessoas presentes nas nossas
histórias humanas desde a nossa concepção, junto aos nossos pais. São
testemunhas vivas de todo o nosso crescimento humano. São anciãs que respondem
às necessidades da hora, pois elas mesmas são os autores do saber. Traços que
muitas vezes, continuam a ser carregadas por nós, com muito orgulho.
Testemunhas
da vida, não obstantes as fraquezas que também fizeram parte destas
personalidades humanas, inerentes à condição humana. O que de fato fica, na
memória, é a postura moral com a qual orientaram suas vidas, mesmo sendo
consideradas posturas estúpidos frentes às forças morais provindas fora do seu
contexto. Sinais que possibilitam a compreensão de uma força íntegra cultivada durante
o seu estar no mundo, frente ao material
humano que a vida no seu devido tempo disponibilizou, são referenciais
transmitidos por gerações milenares.
Nos
desafiam para uma busca constante de compromisso humano, mais sincero e
duradouro. Se ainda caminhamos alimentando desconfianças nesta vida, é porque
perdemos a sensibilidade de perceber que é recorrendo a estes referenciais
humanos que podemos construir uma humanidade mais comprometida. Porém, o mundo
presente nos incentiva a abandonar tudo, assim viver o imediatez, sem
referenciais mais seguros, pois para esta racionalidade contemporânea, devemos
ser objetos das forças que prega o mundo de aparências.
Esta
proposta do presente transparece na nossa maneira desonrada de responder às
exigências propriamente humanas, as quais as posturas destas pessoas nos
desafiam. A pior desgraça humana acontece quando a insensibilidade para com
estes mestres e sábios, toma conta da nossa humanidade. Pois deixamos de
perceber o valor da vida! Somos omissos, temos medo de comprometermos, como
desculpa alimentamos a postura indiferente. Indiferença que muitas vezes são
reflexos das fantasias criadas por mundo preestabelecido, para nós tão
perfeccionistas que vedam os nossos olhos, impossibilitando nossa capacidade de
buscar aprendizagem nos simples atos humanos.
A
verdade é que cada um de nós, na sua singularidade, está em busca de uma
realização humana integral, e a indiferença além de impossibilitar esta
realização, por si só pode se tornar elemento autodestruidora. Pois, esta postura
nos leva a nos tornar vulneráveis a todas as propostas efêmeras encontradas a
cada segundo das nossas vidas. Mas, quando temos a sagacidade de olhar o além,
que não significa esquecer os referenciais e viver só do futuro, mas considerando
a tríade da nossa experiência humana (passado, presente, futuro), levando em
conta as personalidades marcantes das nossas vidas, conseguimos construir uma
personalidade sadia, capaz de testemunhar a humanidade apreendida junto às
pessoas com as quais tivemos oportunidade de conviver e a alegria de escutar a
sua voz nos chamar de neto.
Uma
carga humana, muito profunda que carregamos junto de nós, nas lutas cotidianas.
Sem dúvida, o humano que somos, seremos, sempre é fruto desta vivência que foi
construído destes os primeiros referenciais humanos. Uma vez perdidos os sábios
da vida, se procuramos viver com intensidade os momentos propícios que a
caminhada favoreceu, somos nós os portadores desta mesma humanidade, uma vez, que
o que estava fora de mim, passa a ser “sabedoria que levamos dentro de nós”, e
desta vez temos o dever de transmiti-los ao mundo no qual estamos inseridos,
acima de tudo com a nossa postura humana.
