Jesus
quando responde às pessoas que admiravam a estética do Templo (Lc21, 9-11) indica
o limite mais profundo da pessoa enquanto ser na história. Não é o homem o
Senhor da história, mas o próprio Deus. Não cabe ao homem determinar o fim da
história e concomitantemente a liberdade humana. Cabe somente a ele colaborar
com a sabedoria regida por Deus, para que a vontade dEle Reine sobre a face da
Terra.
Jesus
sempre imbuído do Espírito do Pai nunca manipula a nossa consciência, nem
cerceia nossa liberdade, pois é o dom mais precioso que Deus deu ao ser humano.
Em contraste a atitude humana de Jesus que se fez homem para traduzir o amor de
Deus, surgem ‘falsos profetas’, sinalizando o fim do mundo, como se fossem
deuses, usando de uma teologia do medo, para manipular a consciência das
pessoas. Por isso, todo seguidor de Jesus deve buscar com constância construir
a sua casa sobre a rocha segura: que é Deus, para não cair na mão dos ladrões
que disfarçadamente vem roubar as consciências e a liberdade das pessoas em
‘nome de Jesus’, aprisionando-as em nome de uma ideologia falsa.
O
Templo já não era sinal da salvação! Por isso cristão é chamado a ser um sinal
de libertação, não de alienação, acima assinalado como aprisionamento, pois o
Senhor da história nos criou para a liberdade. O cristão que leva ao aniquilamento
do senso crítico, criativo e libertador do próximo não conseguiu ainda superar
o Templo Antigo da sua casa, o coração. O Templo Antigo como aquele que exclui
as pessoas sem condições financeiras, pessoas afetadas pelas enfermidades,
mendigos, prostitutas, crianças e mulheres etc, deve ser superado a cada dia pelo
Espírito daquEle que veio em nome do Criador, para libertação definitiva da
pessoa.
O
Templo vivo que é Cristo, deve ser a nossa única referência na busca da
construção do Reino de Deus. Pois somos sinal do Reino quando assumimos as
mesmas características daquEle que se fez homem para nos educar para a liberdade,
no amor de Deus. Esta liberdade fruto da nossa abertura para o projeto de Deus
não se “fecha a uma realização egocêntrica”, pois se for assim já não é uma
expressão de libertação que nos leva a partilha. Pelo contrário, necessitamos
acolher
a proposta de Deus, para sermos sinal de libertação e de inclusão aos
menos favorecidos.
Quando
se vive na prática os valores do Reino, significa que conseguimos entender o
nosso limite humano. Pois a tendências humanas de querer dominar a história com
conhecimento limitado não é suficiente para iluminar os fatos da vida. A razão
sem a luz da fé pode caminhar para reforçar as estruturas que excluem e
aniquilam a liberdade natural humano. Assim como uma religiosidade que perdeu
de vista o humano, pode ter a mesma força que uma ideologia que exclui e aliena
as pessoas.
Logo,
precisamos primeiramente reconhecer nosso limite humano. Nesse reconhecimento
aderirmos a tarefa que nos cabe, promoção de justiça, fraternidade e
libertação. Pois, enquanto não tirarmos da cabeça a ambição doentia de querer
dominar o mundo, no lugar do Senhor da História, continuaremos propondo
conhecimento que mata, religião que aliena e visa autopromoção, pior ainda seremos
um bando de bárbaros que lutam pela sobrevivência. Essa luta pela sobrevivência
ofusca o coração generoso que todos temos, nos levando a diversas atitudes
corrompidas. A política atual reflete este bando de macacos sem razão. A
autenticidade é possível de ser traduzida na vida quando transcendemos esta
hostilidade medíocre e buscamos viver os valores comuns. Quando o conhecimento
visa o humano e busca promover libertação, favorece espaço para exercício de
habilidades humanas: criatividade, imaginação, questionamento e consciência
crítica. Verdadeiros cidadãos. Cidadãos não de nome, mas de Vida! Verdadeiros
cristãos. Cristãos não de nome, mas de Vida! Legal.
